Cradle of Filth

Ando as voltas com minha xiitice musical. Interessante, bastou ter tido uma certa abertura e eis que o Rock insiste em voltar com a corda toda pras minhas veias. Após dias flertando com musicas dançantes, flagrei-me excitada, balançando freneticamente a cabeça ao som de um metal extremo qualquer. Ano após ano argumentei, sobre meu desgosto em relação à MPB, que estava cagando pras letras, que me importava a música, a melodia, etc etc. Neste ponto você pode estar pensando: ela deve tocar algum instrumento. Não, não toco, mal sei o que é melodia, no entanto sempre falei de música como uma paranoica: sem provas mas cheia de convicções. Porém ontem o ouvido estava um pouco mais atento ao que era dito. Que bobagem! Uma bobagem qualquer sobre "que lindo se matar por amor, pra ficar com a alma gêmea". Houve um tempo em que eu realmente acharia isso lindo.

Tenho sorte em não mais acreditar nisso de almas gêmeas. Entre Aristófanes e Sócrates, sou mais Sócrates*: o amor é pobre, duro, seco, descalço e sem lar. Entretanto é corajoso, tece maquinações, aspira ao belo. Nem mortal nem imortal é sua natureza, e o que consegue sempre lhe escapa. Encaixe perfeito? Não há.

Assim como não há música perfeita e sim opiniões.
Neste caso, a letra pode ser idiota, mas a música me dá um tesão danado! Vai entender...

*Referência PIMBA ao Banquete de Platão. 


FELICIDADES

Pra mim que A felicidade, assim, com letra maiúscula, não existe. É coisa fugaz e, ao contrário do que se vende por aí, não é um estado permanente da alma. Você não é um fracassado por não conseguir ficar feliz o tempo todo.  Diz que Goethe, ao ser perguntado se fora feliz, responde que sim, mas que não se lembra de um dia sequer em que tenha sido (essa referência pode ser um delírio, fake news, mas tenho a impressão de ter lido isso em algum lugar).
Negócio é que existem felicidades, e muitas! Quer saber de uma? Meias e um piso liso. Ah, e música. Aquela que faz seu corpo se  movimentar involuntariamente, aquela que, de alguma forma, te acende (e tá valendo aquela que você não quer admitir por aí que gosta 😁). E ninguém por perto.Tom Cruise já sabia disso:



 Acho difícil não se sentir o Michael Jackson do pedaço enquanto se desliza pelo chão. A não ser que você esteja muito mal humorado. É, nem tudo é absoluto...

Músicalmente

E hoje fui ouvir, ou melhor, escutar - com calma e atenção - a lista (playlist) de viagem da minha referência musical (apesar dos preconceitos, preconceitos aliás que ela vem derrubando e surpreendendo conforme post neste blog). Enfim.. estava lá ouvindo, ou melhor, escutando e plim: surge uma música que eu sequer lembrava da existência. Uma música que me deixou muito, muito, muito melancólico.. um misto de saudade e tristeza. Mas não consegui parar de ouvir. Aliás está no repeat para eu tentar escrever enquanto escuto.  Não sei exatamente o que me lembra, sei que é faculdade.. talvez um ex-amor? Talvez o fim do primeiro namoro? Fui ao Google ver a data da música: 2002. Pode ser tudo isso, nada disso. Não importa. Música tem essa coisa mágica, que arrepia, que toca (vou ser brega) a alma, que vai buscar coisas que estavam escondidas. 
Fico fascinado.
Essa playlist está bastante cruel nesse sentido.. só musicas de um tempo que eu nem era tão feliz (quem é feliz dentro de um armário?), mas eu tinha uma juventude, uma gana de enfrentar o mundo. Hoje prefiro me acomodar em casa .. como diz a outra música que começou a tocar “hoje desafio o mundo sem sair da minha casa”.
Agora me deixem afundar na melancolia. Tenho direto.

E a esperança existe, agora começou uma música que colocou um sorriso no meu rosto.. tipo “Claudia no final de magnólia “

Pequeno outro

Veio então, encharcada em violência, a vontade de lhe dizer: "Você não é um gênio. Ideias inteligentes, visionárias, muitos têm e não passa disso..." E lembrei-me do Fernando Pessoa: 

'Génio? Neste momento 
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu, 
E a história não marcará, quem sabe?, nem um, 
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. 
Não, não creio em mim. '1


Fardo é que, para algumas pessoas, ideias geniais se realizam na forma de lampejo, nada mais. A ideia, não desenvolvida, realizada precocemente em estado de lampejo, fica ali, acompanhando este sujeito, sozinho em seu delírio... 
A agressividade que impulsionou minha intenção de dizer-lhe dessas coisas colocou-me frente ao espelho: era para mim o recado.  E não, não creio em mim.

Drogas

As pessoas têm relações diferentes com as drogas. Umas usam apenas por recreação e outras se afundam num vício. A culpa é de quem? Das drogas ou das pessoas? Vamos falar sobre drogas: Facebook, Instagram, Twitter e YouTube.. dentre outras. Primeiro gostaria de deixar claro que respeito o usuário. A questão é: por que para algumas pessoas essas drogas são mais nocivas que para outras pessoas? Eu escuto muito sobre “ah, mas Facebook aliena.. a pessoa fica lá.. “ ué, se ela não estivesse lá, estaria vendo TV. Não vejo vantagem. Não mesmo. Outra coisa que sempre falam “a noite foi tão boa que nem tirei foto”. Oi? Presume-se que só se tire fotos de noites ruins? Vamos fazer um álbum de velórios e enterros? Então a questão não é publicar fotos ou ficar no face, a questão é como você usa e como isso te afeta. Criticar o outro diz mais sobre você que sobre o outro.
Eu tirei o face do celular - o app - mas consigo entrar pelo navegador. Antes disso eu já tinha diminuído quase todos os seguidores.. mesmo assim ainda não estava bom. Eu não entro para “stalkear” , entrava para ver alguma coisinha.. como no inocente Orkut. Mas de inocente o Facebook não tem nada, então, seguindo os conselhos do meu amigo Duvivier, parei de trabalhar para o Mark Zucapeta. Procuro minhas próprias notícias.
Minha relação com Twitter é muito específica. Só uso quando preciso de uma atualização rápida - em tempo real: placar de jogo de vôlei, placar de eleição, resultado de alguma coisa...
Com insta minha relação é mais intensa, tiro foto mesmo! E não, não deixo de aproveitar a noite , o jantar , a viagem.. eu apenas tiro foto em 2 segundos e público em outros 2. Gente chata! E meu insta é travado e não entra quem quer. De tempos em tempos faço uma limpeza. É exibicionismo? Sim! Me preocupo com a quantidade de likes? Não. Me preocupo se a vida dos outros é mais feliz que a minha? Posso até me preocupar, mas não vai ser pelo Instagram.. pq eu conheço as ferramentas e sei que tanto aquele prato de comida x pode virar uma foto in-crível, como uma vida infeliz pode render fotos de propaganda de margarina? Ainda existem propagandas de margarinas?
E o YouTube .. eu não vejo o que ele sugere. Nunca. Odeio as sugestões. Precisam melhorar muito. Eu vejo muitas entrevistas, muitos programas que não teria acesso, de lugares e idiomas bem distintos, muitos vídeos de música e humor. Mas eu escolho. Não que dentro dessa escolha eu seja plenamente livre, no mundo dos grandes da internet ninguém é.. e cada clique meu num vídeo de alguém está rendendo muito dinheiro e não é na minha conta.
E pra não dizer que não falei do WhatsApp: ele que proporcionou isso aqui. Tem como não amar? Mas convenhamos.. grupos de WhatsApp são penitências e sair de grupos é sempre uma questão. Fico meses ensaiando! Meses!!

Paradinha

A amiga pergunta: vale Anitta?
Meu deus do céu, penso, vale Anitta?
Quem diria que, pra minha pessoa, ousadia mesmo seria ouvir Anitta?
A amiga insiste: Paradinha é bem rebolativa...
E assim, dividida, eu mergulho num turbilhão de incerteza. Vale Anitta? Não sei, não sei se poderia dizer isso, eu que, em termos musicais, sempre fui uma espécie de xiita. Fiquei tonta. Eu, a rainha do rock, hard, heavy, progressivo, alternativo, metido à besta, como poderia eu responder "sim" àquela questão? Mas antes que eu pudesse, a amiga aperta o play. Animadamente, eu danço. Mas não conte pra ninguém!

Das pequenas coisas que me irritam em SP.

..Depois de 15 anos de relação, façamos uma reflexão... Como pedestre e usuário assíduo do transporte público, me irrito com pequenas coisas do dia a dia. Todos os dias! E por 15 anos! Não que nada tenha mudado, mudou. Mas vamos aos fatos. Pego ônibus num horário relativamente tranquilo e quase sempre tem bancos livres para sentar. Daí que se não está cheio e as pessoas ficam sentadas, logo o corredor fica livre e logo o ir e vir fica mais fácil. Mas não. Todos os dias os energúmenos levantam dos seus assentos um ponto antes de descer e conclusão: quem quer descer fica prejudicado ou tem que aderir ao “fiquei em pé desde o ponto anterior “. Atrapalha quem sai, atrapalha quem entra e os bancos vazios .. não faz sentido. Outra irritação clássica e cotidiana. Pessoas tentando entrar no metrô sem deixar as outras saírem. Isso me irrita muito. Muito mesmo! Quem não? Uma irritação que pode ser só minha, toda minha, mas me deixa puto. Pessoas olhando pra trás na escada rolante. Se você está num lugar ermo, sozinho e sente alguém atrás.. ok.. vai se precaver, pois pode ser um bandido, sei lá. Mas No metro lotado, não faz sentido. A pessoa ta la subindo e tchum, olha pra trás como se você fosse esfaquea-lá. Me irrita. Outra de escadas rolantes que me irrita muito também.. você andando antes de chegar e a pessoas quase te atropela, morrendo de pressa, te esbarra sem pedir desculpas, afinal vc que está sendo lerdo. Daí chega na escada rolante e a pessoa para e fica calmamente subindo . Pô, se tava com tanta pressa pq não foi subindo andando? Então não era pressa. Não precisava ser estupida e quase me derrubado. E a última que também acontece diariamente: pessoa sai da escada rolante e simplesmente fica parada na saída! Tipo “já subi, que se foda quem vem atrás” e isso também acontece em catracas. Passou/ parou. Da vontade de chutar. Mas a coisa que mais irrita em todos os tempos e que eu quase tenho um surto diário é: abordagem na porta do metrô. Seja saindo o seja entrando. “O sr tem um minutinho?”, “o sr gosta de criança?”, “o sr é ator ou advogado?”, “oi lindo, me responde uma pergunta?”.. minha resposta é sempre “não” e “não toque em mim”, pois não basta abordar, tem que vir pegando na gente. E é isso. Meu azedume de todo dia.

Vovó d'água.

Sábado de carnaval. Chove, e muito!
Que alegria, um dia de sossego,  cenário dos sonhos para um sábado de carnaval: poder ler ou fazer nada ao som da água que cai. Mas quando começa esse sonho?

Diante desta visão, do carnaval alheio indo literalmente por água abaixo, percebo-me egoísta. Afinal, esta é uma época em que nem todos querem sossego, e a chuva ameaça estragar ou descolorir tudo. Mas sinto aí, também, uma ponta de prazer, confesso.

Por que o sossego sombrio de um sábado chuvoso de carnaval tanto me agrada? Sinto vovó em mim. Houve um tempo, aquele do melhor carnaval do mundo, o carnaval de minha adolescência, o carnaval de Ituverava, em que nada seria menos bem-vindo que um dia chuvoso. Quando chovia, minha vó dizia: "É Deus, mandano chuva pra freiá os jóvi, os jóvi tão saino dimais!!" Eu? Chorava...



Hello.. hello.. Deu vontade de falar sobre sopa. É .. sopa. Essa coisa tão banal e tão corriqueira. Sempre achei que todo mundo tomava sopa, gostava de sopa e nem pensava na sopa. Até que conheci o Érico (que já se foi) e o apelido dele era “odeio sopa”! Como alguém pode odiar sopa? Pois ele odiava. Mas minha relação com sopa vem de muito pequeno, vovó dava aula nos 3 períodos (e com um salto deste tamanho, el costuma lembrar e se vangloriar do sofrimento que isso causava) e sabe lá pq eu (e certo que meus irmãos) estávamos em sua casa muitas vezes entre o período da tarde e o período noturno e tudo que ela tinha tempo era de passar e tomar uma sopa carinhosamente preparada com antecedência. Depois que ela se aposentou, o hábito continuou e sempre antes do jantar tinha um bom prato de sopa.. sopa de feijão (minha predileta), canja, sopa de legumes, sopa com carne.. enfim, muitas e deliciosas. E no carnaval, no auge do carnaval ituveravense, ela fazia canja e deixava em casa para tomarmos voltando da folia já com dia claro. Tive um momento rebelde de querer tomar sopa com os amigos na lanchonete e e a sopa da vovó foi pro lixo.. que idiotice! Adolescente é um bicho ingrato. Hoje vovó não cozinha mais. Mas um dia André ficou doente (sim, um dia, pois a pessoa não fica doente nunca) e eu falei que ia fazer uma sopa. Ele estranhou. Não tem hábito, não conhece a minha história com sopa e acho até que desdenhou de mim. Pois bem, fui comprar os ingredientes, voltei e fiz com o maior carinho do mundo talvez a melhor canja desde a da vovó. E não é que funcionou? Além de “curar defunto”, ainda recebi elogio por todo o ritual, o carinho, a preocupação e o amor envolvidos ali, na preparação de uma sopa. Herança da vovó. E esse é mais um capítulo da história - cheia de comidas - dos tempos em ituverava. Ps: hoje fiz sopa (ou creme) de couve-flor.

Fase oral?

A gente lá de Ituverava gosta de comida e de cozinhar, ao menos a minha gente.
Prazer que passa pelo tempo, aquele que se leva rodopiando de um lado para o outro da cozinha, entre a pia e o fogão.
Que passa pela bruxaria: a manipulação dos ingredientes, a escolha e adição dos temperos, as invenções, o toque especial, a mágica!
E que passa, sobretudo, pela reação jubilosa daqueles à quem se serve o prato.

É claro que, no meio desta gente, há sempre o rebelde. Afinal, diante da comida, disto que, no meu caso, é negócio de família, fechar a boca, recusar-se a comer é pura rebeldia! Já estive aí, neste lugar, não estou mais. Onde é que estou agora?

Hoje passei em frente à uma "Banqueteria". Suponho ser uma espécie de restaurante. Ora bolas, era só o que faltava!! Creio que a gourmetização do universo tem diante de si vida curta, é moda passageira. É só um palpite. Penso que o aprofundamento da desigualdade social em curso hoje no Brasil afetará o caminho gourmetoso que a classe média seguiu como forma de distinção social. Para tal, distinguir-se socialmente, gourmetizar-se deixará de ser necessário, e as ofertas no mercado irão encolher. Ou não, afinal é só um palpite.

Pois é, comida me faz pensar, é negócio de família. Negócio não capitalizado e sim prazer que se cultiva na base do exagero, cuja tônica é "não passar vontade". Herança da fome, de gente que passou muita fome e/ou sentiu vontade de... comer. Herança negra?

 Manhã do pior dia da semana, segunda-feira. Foi a primeira desde que o ano iniciou, desde que as férias acabaram, desde que minha mãe foi e...