A gente lá de Ituverava gosta de comida e de cozinhar, ao menos a minha gente.
Prazer que passa pelo tempo, aquele que se leva rodopiando de um lado para o outro da cozinha, entre a pia e o fogão.
Que passa pela bruxaria: a manipulação dos ingredientes, a escolha e adição dos temperos, as invenções, o toque especial, a mágica!
E que passa, sobretudo, pela reação jubilosa daqueles à quem se serve o prato.
É claro que, no meio desta gente, há sempre o rebelde. Afinal, diante da comida, disto que, no meu caso, é negócio de família, fechar a boca, recusar-se a comer é pura rebeldia! Já estive aí, neste lugar, não estou mais. Onde é que estou agora?
Hoje passei em frente à uma "Banqueteria". Suponho ser uma espécie de restaurante. Ora bolas, era só o que faltava!! Creio que a
gourmetização do universo tem diante de si vida curta, é moda passageira. É só um palpite. Penso que o aprofundamento da desigualdade social em curso hoje no Brasil afetará o caminho
gourmetoso que a classe média seguiu como forma de distinção social. Para tal, distinguir-se socialmente,
gourmetizar-se deixará de ser necessário, e as ofertas no mercado irão encolher. Ou não, afinal é só um palpite.
Pois é, comida me faz pensar, é negócio de família. Negócio não capitalizado e sim prazer que se cultiva na base do exagero, cuja tônica é "não passar vontade". Herança da fome, de gente que passou muita fome e/ou sentiu vontade de... comer. Herança negra?