Hoje ela lavou roupa. Fizera isso pouquíssimas vezes. Lembra-se, com um pouco de custo, da máquina de lavar que havia em sua república, na época da facul. Então sim, ela já havia lavado roupa, mas hoje sentiu-se tão perdida nesta labuta que é como se fosse a terceira vez. Entendeu naquele momento o porque de, na dialética do senhor e do escravo de Hegel, o senhor não ser livre: sem o escravo, o que fazer? É o escravo quem sabe como fazer. Lembra-se que sua mãe tentava lhe ensinar sobre a lida doméstica, dizia da importância disto para uma mulher, era o que sua mãe lhe dizia. Mas tais ditos maternos pareciam contradizer um outro dizer, pois a menina se criou como uma princesa. Ou teria sido a menina quem, desde cedo obstinada em ser do contra, negara-se a fazer como a mãe, ser como a mãe? Pouco importa, o resultado: uma menina mimada que não sabe fazer as coisas. Sentiu vergonha disso.
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