A energia requerida para que a cultura/civilização lide com a perturbação causada à ela pela inclinação (ontológica) do humano à agressividade é coisa considerável! "Em consequência dessa hostilidade primária dos homens entre si, a sociedade aculturada está constantemente ameaçada pela ruína [...] as paixões determinadas pelas pulsões são mais fortes que os interesses racionais" [1].
Um dos destinos da agressividade é o recalque. Outro, formações psíquicas reativas (cujo exemplo mais manifesto seria o mandamento amar ao próximo como à si mesmo). Ambos destinos retiram de Eros sua energia. E o retorno do que foi recalcado pode se dar na pura expressão do horror, tá aí o coronel Kurtz de Apocalipse Now pra não nos deixar esquecer. O horror... o horror...
No Bem-vindo ao deserto do real, Zizek fala de algum lugar do leste europeu que não suportou a felicidade[2]. E onde é que Freud diz que nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos? Ou foi Goethe? É que fico triste, pensando no Brasil, divagando...
[1] - FREUD, S. Mal estar na civilização. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010, p. 125.
[2] - ZIZEK, S. Bem-vindo ao deserto do real. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003, p. 77.
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