uma história lamentável

assistindo greg news agora me lembrei de uma história lamentável. Era aniversário do que seria filho do prefeito um dia, no cavern club, e tinham 2 palhaços animando a festa. Uma dada hora , para ganhar prêmio (pirulito), tinha que ser o mais animado. Enfim.. eu pulei, pulei, pulei.. quase me matei e só as outras crianças ganhavam. Fui embora triste.

Memórias e saudades


Mais uma brincadeira de detetive. Outro dia fui lavar as mãos no trabalho e o cheiro do sabonete me remeteu a um creme rinse (não chamava condicionador) que tinha na casa da vovó. Mas a única coisa que eu lembrava, além do cheiro, era que era verde e imaginei que seria de algas, pois o sabonete que me lembrou o cheiro era de “algas marinhas”. Enfim.. ninguém na família lembrava qual era o creme,  mas todos lembraram do cheiro (louco isso) e minha tia disse que achava que era Wella (ela era solteira e morava com vovó na época). Resumindo, perdi algum tempo do meu dia e achei!!! É o creme rinse da foto. Não tenho como descrever o cheiro, mas estou sentindo ele agora.
E fico pensando o quão  louco é a memória em si e mais ainda a memória olfativa, que não da para descrever, só sentir. Exatamente por isso só quem partilha da mesma memória consegue ter uma ligação.. memória afetiva. Pensando nisso senti saudade. Saudade de quando partilhávamos mais a vida, o cotidiano, os produtos, os programas.. e hoje as memórias. No futuro não teremos isso, cada um assiste uma coisa, usa um banheiro, come uma comida.. tudo muito individual.

Detetive

Estava “passeando” pelo Instagram e ouvi uma musica simpática de um “amigo” chinês. A música era numa língua oriental (mandarim? Cantonês?) e eis que no meio da música eles falam duas vezes algo que parece “Anna Eliza”. Por acaso Anna Eliza é a filha de uma amiga - inclusive ela completou 7 meses ontem - daí eu, tio coruja, mandei a música pra ela e ficamos curiosos pra saber o que dizia. Voltei no post e perguntei que música era, qual a letra.. etc.. o “amigo” chinês” disse que não conseguia traduzir para o inglês, mas me disse que era uma música folclórica de Taiwan e me indicou um link do YouTube. Comentei isso com a mãe da Anna Eliza e ela tem uma amiga que mora em Taiwan. Resultado? Fim do mistério. Ela mandou a letra da música em
Inglês:
Our beautiful island likes a cradle, its mother’s warm embrace
Proud ancestors stare straight into our steps
They repeatedly clamored endure hardships and create a future
They repeatedly clamored endure hardships and create a future

Endless Pacific Ocean embraces freedom land
The warm sun shining, shining in the mountains and the wilderness
We have courageous people here.
We have brave people here
We have infinite life here Buffalo Rice Banana Magnolia
We have courageous people here.
We have infinite life here Buffalo Rice Banana Magnolia


Resta saber qual é a parte que fala “Anna Eliza”

Ps: meu amigo da Califórnia respondeu.. “Anna Eliza “ é “eles repetem com clamor” . Não gostei da tradução. Perdeu a graça. Mas mistério resolvido. Me sentindo Sherlock homes

Nada de nada

Tenho talvez 3 grandes hobbies na vida: viajar, cozinhar (e comer) e assistir filme (agora séries também). Já falei sobre isso? Tomara que não.  Viajar é o mais difícil, demanda tempo e dinheiro. Tempo.. quem não se queixa da falta de tempo? E pq? Pq usamos nosso tempo para ganhar dinheiro.. enfim.. não é esse o tema.
Cozinhar também é super prazeiroso e comer o que fiz é o orgasmo de toda a função na cozinha. Mas tem seus efeitos colaterais (voltei aos 88kg e pelo jeito não vou sair mais daqui).
Mas o tema de hoje seria CINEMA.
Por mais que eu adore filmes na tv - vamos combinar que as tvs de hoje são super boas para ver filme - o cinema ainda tem uma coisa mágica, de submersão. Ontem assisti 2 filmes seguidos e durante 4 horas eu mergulhei em outra realidade. Ok. Eu estava sozinho, numa sala quase vazia (menos de 10 e passos por sessão) e isso ajuda, pois acompanhado sempre tem o momento que a pessoa ao lado te trás para realidade.. e é triste ser resgatado, mas acontece sempre. Faz parte.
E aí que estava pensando que depois de ver filmes, sobretudo em cinema, mas vale para qualquer plataforma, eu fico “viajando” e buscando significados, analogias, metáforas, mensagens, entrelinhas.. e isso que fica. Tentado falar sobre o filme “corra!” com F., notei que não lembro exatamente de tudo que acontece no filme, mas lembro do que me tocou, do sentimento. É muito bom ter esse sentimento de que a coisa mexeu com você de alguma forma e ainda que não lembre exatamente detalhes, a mudança em mim ficou.
Os filmes de ontem também me trouxeram coisas. Ainda estou pensando neles.
Ps: essa reflexão não vale para filmes sem enredo, onde só se explodem coisas. Mas vale para filme de super-heróis .. para filmes de ação. Não é a forma que importa, é o conteúdo.
Nessa última leva eu assisti no cinema:
O insulto (Líbano)
Em pedaços (Alemanha)
Maria Madalena (EUA com atores do mundo)
Pantera Negra (EUA)
The Post (EUA)
StarWars (o último)
E em casa:
Me chame pelo seu nome (EUA - gravado na Itália)
A forma da água (EUA com diretor mexicano)
3 anúncios para um crime (EUA)
Corpo e alma (Hungria)
Uma mulher fantástica (Chile) - tinha assistido no cinema no final do ano passado
Sem amor (Rússia)
Shorts cuts (EUA - não lembro de que ano.. acho que 93)
Trama fantasma (EUA)
Lady Bird (EUA)
The Square (Suécia)
O destino de uma nação (Reino unido)
Ainda vi filme do Hitchcock..
Vi um péssimo que nem lembro o nome.. enfim..
Semana que vem estarei de volta à realidade e hobby será apenas hobby.

Ps: e agora, depois de cortar a juba, estou assistindo “Projeto Florida”

HER








Her é um filme encantador. Que me faz pensar em coisas do tipo: será que o medo, expresso neste filme, ainda que de forma doce, monótona e poética, que os homens tem de serem dominados pelas máquinas não expressaria, ao menos em parte, uma fantasia de onipotência, um desejo de ser Deus? Falo de algo que já está lá no Frankstein de Mary Shelley. O criador dominado pela criatura. Lembro do Homem de Areia de Hoffman e atravessa-me a ideia de que a relação do homem com a tecnologia fora sempre marcada por uma tensão, algo que se dá entre o fascínio/esperança e o terror. Volto na coisa de brincar de Deus e suas consequências: a liberação de forças terríveis, incontroláveis. Não foi isto que sucedeu a Fausto

Her é uma história de amor. Entre um homem, Theodore, e seu sistema operacional. Vejam que interessante: é ele, as palavras dele, ao responder algumas perguntas, que dão vida ao tal sistema operacional. Como num sopro, nasce Samantha. Não das costelas, mas sim, das palavras de Theodore.

E quem é Samantha? Antes de mais nada, é voz. No futuro retrô desenhado pelo diretor, a voz está em causa tanto quanto ou mais que a imagem: as pessoas, solitárias, caminham com um pequeno fone enfiado na orelha, conversando com seus telefones espertos. Ao final do filme fica a pergunta: quem foi o sistema operacional de quem? Há poesia nesta fina ironia: no fim das contas, são as máquinas que decidem se desconectar dos humanos. No filme, são os sistemas operacionais que se desconectam de um mundo limitado e virtual para eles.

E quem é Samantha? Samantha é A Mulher. Que não existe... "É como se eu estivesse lendo um livro [...] as palavras estão espaçadas e os espaços entre as palavras são quase infinitos. Eu ainda sinto você e as palavras de nossa história, mas agora eu me encontro nesse espaço infinito entre as palavras", é o que Samantha diz ao abandonar Theodore. Ela está lá, no intervalo, lá onde não há significante que represente.

A energia requerida para que a cultura/civilização lide com a perturbação causada à ela pela inclinação (ontológica) do humano à agressividade é coisa considerável! "Em consequência dessa hostilidade primária dos homens entre si, a sociedade aculturada está constantemente ameaçada pela ruína [...] as paixões determinadas pelas pulsões são mais fortes que os interesses racionais" [1]. 
Um dos destinos da agressividade é o recalque. Outro, formações psíquicas reativas (cujo exemplo mais manifesto seria o mandamento amar ao próximo como à si mesmo). Ambos destinos retiram de Eros sua energia. E o retorno do que foi recalcado pode se dar na pura expressão do horror, tá aí o coronel Kurtz de Apocalipse Now pra não nos deixar esquecer. O horror... o horror...
No Bem-vindo ao deserto do real, Zizek fala de algum lugar do leste europeu que não suportou a felicidade[2]. E onde é que Freud diz que nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos? Ou foi Goethe? É que fico triste, pensando no Brasil, divagando...

[1] - FREUD, S. Mal estar na civilização. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010, p. 125.
[2] - ZIZEK, S. Bem-vindo ao deserto do real. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003, p. 77.
...imagine só, confundir as instâncias de cuidado, proteção, formação, inscrição na cultura, que são as função materna e Nome-do-pai, com as figuras reais, pai, mãe, como se o modelo burguês de família não fosse histórico e recente. Por que estou dando este rodeio? Pra dizer que concordo com uma historiadora da psicanálise que diz que aos psicanalistas cabe estar atento à realidade, não julgá-la. De minha parte entendo isso como um posicionamento do tipo "nada do que é humano me é estranho". Estar atendo, ver onde vai dar... 

Congresso Internacional do Medo


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade 

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https://instagram.com/p/BgSJQ86H7qQ/

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Provavelmente não deixa a cidade dormir

Não adianta. Só gosto de MPB por exceção. Meia dúzia de músicas que adoro versus um universo que ignoro, aparentemente por opção. Porém, na bolha em que circulo há algo que aproxima intelectualidade, bom gosto e MPB. Portanto, vira e mexe coisas do tipo Chico Buarque pululam na minha tela. Li alguém dizendo que a última música dele era cafona[1], e imediatamente pensei: é, provavelmente[2] a música deve ser chata e cafona mesmo”. Falo da música, da melodia, não da letra. No entanto é a música que primeiro chega aos meus ouvidos. Ou talvez isso seja apenas uma desculpa. Ao que parece a identificação com o que é de fora, estrangeiro e que fala inglês veio muito cedo. E ainda que tal identificação venha à vacilar, isto não garante que algo que abarque a MPB possa alojar-se em seu lugar. Isto me fez pensar em algo que ouvi hoje de um homem branco que cresceu em uma favela no Rio de Janeiro, do momento em que se deu conta de que era branco. Afinal, ele havia crescido em um universo de pretos veios, pais de santos e pombas giras. Esta fala me tocou na medida em que, provavelmente, eu tenha passado pelo caminho inverso: um belo dia dei-me conta de que era negra. Não à toa, o universo de significantes aos quais percebo ter-me alienado são aqueles que, de alguma forma, negam tanto minha negritude quanto a brasilidade que me tece...

  1. Detalhes pra a treta: http://www.socialistamorena.com.br/cancao-cafona-de-chico-buarque-moralismo-e-idolos-inatacaveis/
  2. Vai aí uma exceção, na versão de outra: https://www.youtube.com/watch?v=J6DqvxYcBtQ 

Tetas e tretas

E estava vendo o “canal das bee” e aparece um comentário meu de um vídeo anterior. A “brincadeira” era falar o primeiro nome que vinha à cabeça em determinadas categorias. Então não reflete exatamente quem eu mais gosto, mas sim o nome que veio (Sr  Freud explica).
E cá estou sem sono,  no pôs operatório, com meu 🐻 dormindo no sofá. Pois um dos “privilégios” do meu plano de saúde é apto individual com direito a acompanhante para pernoite e QUATRO visitantes simultaneamente, dava para fazer uma festa no quarto do hospital.
Agora cuidar para me recuperar nesses dias em casa.. sem trabalhar e recebendo salário  (mais um privilégio *).
Mas a grande sacada disso tudo é que me aproximo mais de pessoas que pensam igual a mim e debatemos de forma saudável. Já discuti isso. Seria bom ouvir opniões diferentes, mas nunca consigo opniões, só imposições.
E minha mãe ficou brava: “você não tem mãe?” - por eu ter omitido o procedimento cirúrgico. Mas marido tá aí pra isso, suprir a mãe (que já tem 4 netos - 1 destes não nascido ainda) para se preocupar e ajudar.
Ps: sou imune a anestesia. Não! Não ao efeito de tirar dor.. credo. Senti nada. Mas ao efeito de deixar chapado. Voltei 100% para o quarto e já sai saltitando para o banheiro, comi sem sentir enjoo.. e assim como na endoscopia, não teve vídeo me pegando grogue. Sorry.

Os nomes dos personagens foram alterados para manter a privacidade dos envolvidos.

É meu email enlouqueceu e apareceu essa mensagem de 09/01/2012 como não lida.
“ No sábado saí com a Mara, daí ligamos pra Larissa e ela tava num galpão hippie fazendo filtros dos sonhos, chamou-nos pra ir lá "tem alguém aí que conheço?" e tinha o Tino. mas eu num tava a finm, falei pra Mara  que me sentiria indo atrás dele se fosse lá, ela insistiu pra ao menos passarmos na frente e fomos, eu com um leve aperto no peito. e quem tava lá na frente mijando nas plantas (o lugar não tem banheiro)? Ele, ja deu um grito e chamou a gente. descemos, ele veio pro meu lado, Mara  foi entrando, ele chegou perto, cheirou meu cabelo e ja começamos a ficar respirando mais forte, como se fossemos trepar ali mesmo. Daí a La apareceu, a gente disfarçou e entrou no tal galpão. Ai, nem vou entrar em detalhes, mas peguei o carro da Mara  e fomos pro motel, ela ficou lá com os hippies.”

Fase anal?

A amiga contou-me do ensinamento que alguém lhe transmitiu: escreva ao menos um parágrafo de merda por dia, deixe as pretensões genialísticas de lado! "Pois é", pensei, "isso eu já faço faz tempo." Mas a merda está espalhada por todos os cantos deste cômodo. E eu ainda não sei se isto é um problema...

Freud pira

Eu sonhei que agora pessoas trans podiam mudar de nome direto no banco, daí atendi uma mulher trans, ela chegou, pagou uma tarifa no caixa, veio com protocolo no atendimento e fiz a alteração do nome. Imprimi um comprovante e avisei que o RG novo seria entregue pelo correio. Rápido e fácil. Detalhe: a mulher trans mudou o nome de homem - que era o nome do meu pai , para o nome de mulher, que é o nome de mamãe.


 Manhã do pior dia da semana, segunda-feira. Foi a primeira desde que o ano iniciou, desde que as férias acabaram, desde que minha mãe foi e...