Na pele

Todos os dias eu passo pela lateral de um cemitério para ir e voltar do "serviço" e na hora do almoço (ida e volta) e sempre, além de camisinhas e outros lixos, tem alguns jovens fumando. Até ai tudo bem. Só que dia desses, enquanto esses jovens de classe média (estamos falando de higienópolis) fumavam seus becks, eu vinha no sentido consolação -angélica e vi um menino de bike parar no grupo, comprar ou vender alguma coisa e sair.. nisso chega a polícia militar, em 2 motos e achei que ia ser a tragédia de sempre, mas não.. só fizeram barulho para dispersar o grupo, que nem ficou muito preocupado e saiu meio que reclamando. 
Hoje, mesma trajeto.. mas não eram jovens de classe média e não estavam fumando. Eram um homem de meia idade e um outro mais jovem, ambos negros e a polícia revistando com a truculência habitual. Dois pesos, duas medidas. Até aí nada de novo. Mas assistir isso de camarote me deixou triste.
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Estou temporariamente trabalhando em um lugar diferente e na minha frente senta uma senhora de 60 que está fazendo a primeira faculdade, de Direito. Ela trabalha o dia todo, estuda de noite, tem uma filha desempregada. Ou seja, a pessoa faz o que pode para ter uma vida melhor. E o que escuto as pessoas falando "que ela é velha e lenta". Isso me deixa muito triste.
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Tinha mais alguma coisa para falar sobre isso.. mas não lembro.. o que posso falar é de como isso me afeta. Diariamente me sinto morrendo um pouquinho (o que de fato acontece, as célular estão envelhecendo), sinto deslocado do mundo. Aliás sempre me senti deslocado, diferente, desviado.. 

Um comentário:

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