Acho que a maior dificuldade nem é a falta de assunto, já que tudo vira tema de conversa. O problema é ter tempo de colocar tudo “no papel”. Meu agravante é que digito direto do celular, e não enxergo o que digito, pois a letra fica muito miúda e sou semicego. Mas vamos lá.
Hoje fechou mais um ciclo no trabalho, seria amanhã, mas foi hoje. Agora quando voltar será outro lugar, outra equipe, outras pessoas.. e isso me da medo. Acho que ficar velho vai fazendo a gente a ter medos.. não querer mudar, querer manter o que já se conquistou. Basta? Claro que basta. Já conquistei o suficiente para essa vida. Só precisaria manter. Mas a vida me obriga a ter que me reinventar . Ok.
Daí que estou agora, neste exato momento, deitado, me sentindo culpado por não estar trabalhando e não estar indo ao velório da minha recém falecida avó. Eu devia ir, mas não quero. Não quero pq não sei lidar com morte, não quero pq não muda nada, não quero pq a lembrança de quem quer que seja no caixão é muito forte e apaga toda a lembrança que eu trago da pessoa em vida. Foi assim com meus bisôs, quando minha mãe ficou viúva.. e não seria diferente agora. Mas sinto que tenho um dever, uma obrigação e isso me deixa culpado. Meus irmãos já me liberaram “você já se despediu da vovó domingo” - sim, eu sabia que era uma despedida e quando falei tchau para ela, sai correndo para não chorar e fui na casa da outra avó (já era tarde, não ia passar lá pq precisava viajar), fui lá dar um beijo, nunca se sabe. Enfim. Não vou, não sou um mau neto por não ir.
Morte me traz um sentimento estranho que nada tem com a perda e o luto, uma coisa minha comigo, uma reflexão “pq vivemos?” E fica parecendo tudo sem sentido. Sem filhos, quando me for desse mundo não vai sobrar nada, nenhuma lembrança. Nada. Nada. Nada. Não é estranho?
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