Eu sempre me acho uma farsa. Como se a qualquer minuto fossem descobrir que me superestimaram .. eis que hoje, recebo relatório do trabalho da semana passada e um elogio perante todos do grupo “você fez o melhor trabalho”. Fico quieto. Não gosto de aparecer.
Gostaria que elogios se transformassem em promoção e me perguntam “você acha que isso pode acontecer?” Resposta “Não “. Simples assim.
Mas me sinto menos uma farsa quando isso acontece.
Para mim só existe uma coisa boa aqui nos EUA, segurança. O que devia ser o básico em qualquer lugar .. infelizmente no Brasil está ficando muito difícil. Sobretudo nas grandes cidades, mas não apenas nelas.. o que é ainda mais assustador.
Ah, mas aqui as coisas funcionam.. dizem, tentando elencar mais uma vantagem. Mas funcionam a que preço? O que me deixa muito irritado nesse padrão americano é saber que é justamente o que querem implantar no Brasil. Onde quem é servido se acha numa categoria superior a quem serve e quem serve é apenas um número. Não importa se é Maria ou João. Importante é ter alguém ali pronto para servir. Isso não me desce.
Então sim, as coisas funcionam aqui. Mas o empregado não tem férias (por lei e em geral as categorias dão 5 dias úteis de férias ao ano e férias não remuneradas.. ou seja.. são faltas, não são férias!!). Dependendo da categoria e do sindicato, conseguem 15 dias de férias no ano (sem salário, pq aí já seria demais!). Tem um documentário do Michael Moore que mostra isso.. ele exagera, mas é real. Na Itália é como no Brasil (pelo menos até agora, no meu caso) e no documentário faz essa comparação e mostra que as empresas dão lucro, funcionários tem mais qualidade de vida, logo mais produtividade.
Aqui tem jornada excessiva, baixos salários, nenhum direto e a cultura da gorjeta. Todos as notas fiscais vem com pedido de gorjetas. Em geral elas dobram o salário do atendente. Mas de novo quem paga essa conta? Pq não os empresários? Cobram caro, tem lucro alto e dividem os custos dos funcionários com os clientes? Ta certo isso?
Enfim.. ficar aqui me da desespero de ver para onde querem levar o Brasil.
Fora isso uma outra coisa me incomoda muito aqui: falta de cultura. Não tem atividades culturais. Só consumo, consumo, consumo. Na Europa os hotéis são mais pessoais, restaurantes, muitas livrarias, parques.. e museus! Aqui tentei ir num museu hoje. Museu das bombas nucleares ou algo assim. Péssimo. Explicavam sobre as bombas, sobre os testes feitos aqui no deserto de Nevada .. e ainda tentavam mostrar como as pesquisas nucleares contribuíram para evolução de algumas tecnologias. Mas cadê as críticas? Cadê o perigo de uma terceira guerra? Cadê o horror das bombas sobre o Japão?
Definitivamente não da.
Então, se não podemos ir contra eles.. vamos mergulhar na futilidade e nos serviços que funcionam e que as férias sejam essa descida ao playground da vida, sem levar nada muito a sério. Ganhando US$14 dólares na roleta de manhã e perdendo US$19 à noite..
E nem falei dos alimentos ultra-processados (que foi uma discussão no café da manhã e agora descobri que era tema do greg news).
Queria ser menos crítico. Ver só coisas boas. Mas não da. Um dia um bichinho me mordeu e agora eu não consigo ver uma injustiça e passar batido. Não sei se é bom ou ruim. Mas é.
Hoje aconteceu uma coisa curiosa: enquanto eu assistia Eu não sou um homem fácil, meu marido ia e vinha da cozinha, atormentando-me. Tudo que eu queria era sossego pra assistir a um filme, no máximo que ele me trouxesse uma cerveja, é, seria bacana, mas ele ia e vinha reclamando: "você viu que esse pão que você comprou estragou e vou ter de jogar fora?", "custa colocar a louça dentro da pia?" "mas que bagunça você faz!" ,"esse iogurte vence hoje, vou ter de jogar fora" "esse pepino que você comprou estragou, vou ter de jogar fora", "mi mi mi", "mi mi mi"... Como eu o ignorava, ficou ainda mais nervoso, mais lamuriento e por fim resolveu me dar um belo castigo: estou proibida de ir ao mercado pois compro besteiras e coisas que deixo estragar. Vejam bem, meu castigo é: ao invés de passar parte da manhã de domingo num supermercado, ficar em casa fazendo o que eu bem entender. Inclusive assistir, sossegada, a um ótimo filme.
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