Dividida
Brazil
Um paralelo entre Torto Arado, a mulher da casa abandonada e minha família paterna.
Desde uma casa abandonada no centro na cidade natal, em frente à praça, que está caindo aos pedaços por não ter chegado a um acordo no inventário, passando por empregadas pretas que dormiam no serviço e eram consideradas da família até caseiro da fazenda trocado de tempos e tempos para não crie vínculos com a terra.
Se não houve escravidão, existiu e existem salários muito baixos e regime de servidão.
Lembro de questionar algumas vezes, quando criança, algumas coisas que eu via e não entendia. Não entendia que fosse errado,mas não me parecia certo. Uma vez perguntei pq os caseiros viviam num casebre se a casa grande ficava vazia. Numa outra vez perguntei pq a moça que ajudava na ceia de natal não estava passando a noite com a família dela. Primeira resposta foi que cada um tem seu lugar. A segunda, depois de um climão, foi que a moça ganharia numa noite o que levaria um mês inteiro para ganhar. Nenhuma resposta me convenceu. E se era tão bom trabalhar uma noite para ganhar o equivalente ao mês todo, por que eles não fazia isso também?
O livro e o podcast me tocaram num lugar que não gosto de reviver. Não escolhi estar do lado de la. Mas não posso apagar que estive e todo mal que foi causado(e ainda é) é responsabilidade minha sim.
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