Dividida

 

Trouxe a vida dividida
E tudo o que vai se acabar
Aquilo que se foi
E o que não se sabe como será

Mudar a roupa é superfície
Que reflete não se sabe o que
Um nome que fique
Um jogo perdido 
E a pessoa não sabe mais
O que quer ser


Brazil

 Um paralelo entre Torto Arado, a mulher da casa abandonada e minha família paterna.

Desde uma casa abandonada no centro na cidade natal, em frente à praça, que está caindo aos pedaços por não ter chegado a um acordo no inventário, passando por empregadas pretas que dormiam no serviço e eram consideradas da família até caseiro da fazenda trocado de tempos e tempos para não crie vínculos com a terra.

Se não houve escravidão, existiu e existem salários muito baixos e regime de servidão.

Lembro de questionar algumas vezes, quando criança, algumas coisas que eu via e não entendia. Não entendia que fosse errado,mas não me parecia certo. Uma vez perguntei pq os caseiros viviam num casebre se a casa grande ficava vazia. Numa outra vez perguntei pq a moça que ajudava na ceia de natal não estava passando a noite com a família dela. Primeira resposta foi que cada um tem seu lugar. A segunda, depois de um climão, foi que a moça ganharia numa noite o que levaria um mês inteiro para ganhar. Nenhuma resposta me convenceu. E se era tão bom trabalhar uma noite para ganhar o equivalente ao mês todo, por que eles não fazia isso também?

O livro e o podcast me tocaram num lugar que não gosto de reviver. Não escolhi estar do lado de la. Mas não posso apagar que estive e todo mal que foi causado(e ainda é) é responsabilidade minha sim.

Triste. 

 Manhã do pior dia da semana, segunda-feira. Foi a primeira desde que o ano iniciou, desde que as férias acabaram, desde que minha mãe foi e...